sexta-feira, setembro 22, 2006

Diga ao povo que volto...


E assim começa toda essa história... Mas pra você que está chegando agora, vamos a um breve resumo:

Eu nasci em São Paulo (mas fui lá só pra nascer), meus pais moravam em Itu, onde morei a vida toda, passando as férias em Peruíbe, na casa da minha tia, e foi lá que, aos 5 anos de idade, descobri o que cargas d’agua era a tal da Arquitetura! Minha tia, que fazia uma reforma em casa ou algo assim, tinha vários exemplares da revista Arquitetura & Construção, com fotos de todo tipo de casa e com um desenho estranho embaixo das fotos, que tinha uma importância que eu não entendia, até q ela disse: isso aqui é a planta. PLANTA?! Q é isso? Pois bem: planta é o desenho de como vai ser a casa, essas linhas aqui (ela foi explicando) são as paredes, e isto aqui é a porta (uma linha perpendicular à parede, seguida por um vazio e acompanhada por um arco que descreve a trajetória do “abrir a porta”).

Pronto! Estava feita a desgraça! A partir do momento em que eu descobri que alguém fazia o desenho de como ia ser a casa, eu descobri o que eu ia querer ser pro resto da vida! E foi o que eu fui estudar (claro, depois de 13 anos daquela descoberta). Entrei na PUC de Campinas, no curso de Arquitetura e Urbanismo (o tal do urbanismo, no princípio parecia um brinde...) e me encontrei! Tudo era interessante, tudo era o que eu esperava, e o melhor, eu gostava! Muito! Lá fiz grandes e numerosos amigos, o que tornou a decisão (que eu conto logo adiante) mais difícil.

Recapitulando, menino do interior de São Paulo descobre o que é arquitetura quando pequeno, e quando termina o colegial entra pra faculdade. E começa a sair de casa, aos poucos. Estudando fora, acabei me mudando pra Campinas, voltando só de fim de semana pra Itu, e assim foi, até que, no começo do quarto ano, abriram se as oportunidades para fazer intercâmbio! E lá estava a Faculdade do Porto, de Portugal, reconhecida mundialmente, famosa pelo desenho e pelo ensino de projeto.

E foi pra lá que eu fui. De setembro de 2005 a agosto de 2006 estudei no Porto, conheci gente não só do Brasil inteiro, mas do mundo inteiro, viajei pra um monte de lugar (no esquema mochilão, pão com atum) e encontrei uma faculdade que me despertou para várias coisas me deixando com vontade de concluir o curso lá. Muita coisa aconteceu, muita mesmo. Mas não é disso que eu vou tratar aqui. O intercâmbio acabou, e como diz uma amiga minha, Carol Reis: Erasmus (Intercâmbio) é uma vez na vida!

É mesmo! Um ano fantástico onde você encontrará pessoas fantásticas, viverá coisas fantásticas em lugares mais fantásticos ainda, pra depois então, retornar disso com uma bagagem que vai de conhecimento, amizade e saudade até aquele chaveirinho da torre eiffel... e com a certeza de que esse tempo bom não volta mais, as pessoas que estiveram com você vão voltar as suas vidas também, e tudo estará diferente, ou melhor dizendo, tudo estará igual. Diferente quem vai estar é você.

Tão diferente a ponto de acreditar que o melhor caminho seja o que eu estou escolhendo, o de voltar pra lá, praquele lugar onde tudo aconteceu, e que você sabe que não vai encontrar do mesmo jeito (ao contrário do que aconteceu quando você voltou pra casa), nem com as mesmas pessoas, e agora aquela faculdade vai ser pra valer, afinal de contas a gente tem que se formar em algum momento, certo?

Foi essa a decisão, e é este o passo enorme que eu estou dando. Tranquei minha matrícula, disse ao povo que volto, e neste sábado, dia 23, embarco para Portugal.

E tudo o que acontecer eu postarei aqui, depois que os dois já praticamente padrinhos desse blog, um sem saber e outra sabendo, me deram essa idéia. Kamim, meu grande amigo que mostrou que escrever é sempre uma boa pedida, e Marília, a Fortaleza em forma de gente (em todos os sentidos), que sabe muito bem o que é um intercâmbio (vide
http://www.terraavista.blogger.com.br/) e que no meu “Dia do Fico”, plantou essa idéia de blog na minha cabeça, por que assim, nas palavras dela, quando perguntarem pra tu como foi, tu não vai responder só um “foi demais”, e ficar por isso mesmo...

Disseram-me esses dias, em meio as despedidas, nestes momentos em que você não fala nada, mas quer falar tudo: Vá... Vá e não volte. Eu até assustei. Começaram as Conversas com Alfredo.